Quanto custa uma casa? Ninguém responde a isso sem perguntar quantos quartos, em que zona, construída como. Com um site é igual: o preço depende do que está lá dentro.
E, tal como numa casa, o que separa uma boa de uma que vai dar problemas quase nunca é o que se vê da rua. É as fundações, a canalização, o isolamento. Num site, é a mesma coisa: quase tudo o que o faz bom está onde não se vê.
Por isso, quando alguém me pergunta quanto custa um site, o mais útil que posso fazer não é dar um número. É mostrar o que está por baixo, para saberes o que estás mesmo a pagar. São seis coisas, e nenhuma aparece num screenshot.

A estratégia, antes de haver uma única página
As fundações de um site não são visuais. São as perguntas que se fazem antes de desenhar seja o que for: quem é o teu cliente, o que procura, como decide, como te encontra. (Nenhuma destas perguntas se responde a olhar para um moodboard.) Esse trabalho não se vê no site pronto, mas é ele que decide se o site trabalha por ti ou se apenas existe.
Um site pode ser lindo, ganhar prémios de design até, e mesmo assim não trazer ninguém, se foi construído à volta de uma tendência visual em vez do teu negócio. A estratégia é o que garante que não é esse o caso: perceber quem compra, o que escreve no Google, o que o faz confiar antes de carregar em "contactar". É a parte que raramente aparece num orçamento (não há forma bonita de a pôr numa linha de fatura), e é a que mais pesa no resultado.
A velocidade (que só notas quando falta)
Um bom site mostra o conteúdo principal em menos de dois segundos e meio. É o valor que a própria Google define como bom, nos chamados Core Web Vitals. Não é um capricho técnico: quando um site fica lento, as pessoas saem antes de veres o que lá tens.
E isto tem número, não é opinião minha. Num estudo da Google em parceria com a Deloitte, feito com 37 marcas e mais de 30 milhões de sessões, melhorar o carregamento em apenas 0,1 segundo aumentou as vendas em 8,4%.
A velocidade é das coisas mais trabalhosas de fazer bem e das mais invisíveis quando está lá. Só reparas nela quando falta, tal como só reparas no isolamento de uma casa no primeiro inverno em que falha.
Ser encontrado por quem procura
Um site bonito que ninguém encontra é como uma loja sem montra, numa rua sem gente. Para o Google o mostrar, o site tem de ser construído para ser encontrado: as páginas ligadas entre si, e os títulos e cabeçalhos a usar as palavras que as pessoas realmente escrevem quando procuram o que fazes.
Isto está preto no branco no próprio guia da Google para quem quer aparecer nas pesquisas: o Google encontra as páginas seguindo ligações, e mostra-as quando os títulos e o conteúdo usam os termos que as pessoas pesquisam. Não se vê no ecrã, mas é a diferença entre existir online e apareceres quando alguém precisa de ti.
A confiança que se decide em segundos
As pessoas decidem se confiam num site quase antes de o lerem. Num estudo de Stanford com mais de 2.600 pessoas, o fator mais mencionado para avaliar a credibilidade de um site foi, de longe, o aspeto (46,1% dos comentários analisados; atenção, é a percentagem de comentários que mencionam o design, não a percentagem de pessoas). A primeira impressão não é vaidade: é o que faz alguém ficar ou fechar o separador.
E há um pormenor que muda a forma como se escreve um site: as pessoas não leem, passam os olhos. O Nielsen Norman Group calcula que, numa visita média, uma pessoa lê no máximo cerca de 28% das palavras da página. A clareza (dizer o essencial primeiro, sem encher texto por encher) é trabalho, não sorte. Um site que respeita o tempo de quem o lê parece simples; chegar a essa simplicidade é das coisas mais difíceis de fazer bem.
Funcionar para toda a gente
Um site que só funciona bem para quem vê perfeitamente, ouve, e usa um rato com precisão deixa gente de fora. Segundo a Organização Mundial de Saúde, 1 em cada 6 pessoas no mundo, cerca de 1,3 mil milhões, vive com uma deficiência significativa.
Acessibilidade é construir para que o site funcione também para elas: contraste suficiente, navegação por teclado, descrições nas imagens. Há uma norma internacional para isto, as WCAG, definidas pelo W3C, o organismo que faz as regras da web. Não é um extra bonito de ter. É alcance, é usabilidade para toda a gente (serve também quem tem o telemóvel ao sol ou uma ligação fraca no meio do Alentejo), e em muitos casos é exigência legal.
Ser teu de verdade
Esta é a mais invisível de todas, e a que mais importa a longo prazo: de quem fica o site quando está pronto. Um site que é teu tem o domínio registado em teu nome, o código numa conta tua, e um sistema onde mudas um texto sozinho, sem teres de pedir a ninguém. Não se vê ao olhar para o site, mas decide tudo o que podes fazer com ele depois.
E não é só boa prática, tem base legal. O regulamento europeu de proteção de dados dá-te o direito de levar os teus dados para outro fornecedor. O domínio é teu enquanto estiver registado no teu nome, segundo as regras da ICANN, o organismo que gere o sistema global de domínios. Voltando à casa do início: as chaves ficam contigo. É isso que te dá liberdade para o levar, mudar e crescer com ele, sem pedir licença a ninguém.
Então, quanto custa um bom site profissional em Portugal?
Voltando à pergunta do princípio: quanto custa um bom site? Depende de quanto deste trabalho invisível está lá dentro. Em Portugal vais ver sites anunciados desde algumas centenas até dezenas de milhares de euros, e a diferença de preço é quase toda isto que acabaste de ler: a estratégia, a velocidade, ser encontrado, a confiança, funcionar para todos, e ficar teu.
Um bom site não é o mais bonito nem o mais barato. É aquele onde este trabalho foi feito, e é por isso que dura, traz clientes, e continua a ser teu daqui a uns anos.
O que faço, e o que cada projeto inclui, está nos serviços. E se estás a pensar num site e queres perceber o que faz sentido para o teu caso, conta-me o que precisas. Digo-te com honestidade o que é preciso, e o que não é.
Fontes
- Google · Core Web Vitals (LCP ≤2,5s = "bom")
- Google + Deloitte · "Milliseconds Make Millions" (37 marcas, 30M+ sessões, 0,1s → +8,4% vendas)
- Google Search Central · SEO Starter Guide (páginas encontradas por ligações; títulos e conteúdo cruzados com termos de pesquisa)
- Stanford Web Credibility Research (Fogg et al., 2.684 comentários, design = fator de credibilidade mais mencionado, 46,1%)
- Nielsen Norman Group · "How Little Do Users Read?" (≤28% das palavras lidas por visita)
- Organização Mundial de Saúde · Disability and health fact sheet (1 em cada 6 pessoas / 1,3 mil milhões)
- W3C / WAI · Web Content Accessibility Guidelines (WCAG)
- RGPD, Artigo 20 · Direito à portabilidade dos dados
- ICANN · Registrant Rights and Responsibilities (propriedade do domínio ligada ao registo do titular)
