Em Portugal, fazer um site profissional custa entre 300€ e mais de 10.000€: landing page com estratégia desde 1.200€, site institucional entre 2.400€ e 6.000€, loja online a partir de 6.000€ (lista completa mais abaixo). Mas o número sozinho diz pouco. O que separa um site que funciona de um que só existe está no que nunca aparece numa tabela de preços, e é isso que este artigo mostra.
Quanto custa uma casa? Ninguém responde a isso sem perguntar quantos quartos, em que zona, construída como. Com um site é igual: o preço depende do que está lá dentro.
E, tal como numa casa, o que separa uma boa de uma que vai dar problemas quase nunca é o que se vê da rua. É as fundações, a canalização, o isolamento. Num site, é a mesma coisa: quase tudo o que o faz bom está onde não se vê.
Por isso, quando alguém me pergunta quanto custa um site, o mais útil que posso fazer não é dar um número. É mostrar o que está por baixo, para saberes o que estás mesmo a pagar. São seis coisas, e nenhuma aparece num screenshot.

A estratégia, antes de haver uma única página
As fundações de um site não são visuais. São as perguntas que se fazem antes de desenhar seja o que for: quem é o teu cliente, o que procura, como decide, como te encontra. (Nenhuma destas perguntas se responde a olhar para um moodboard.) Esse trabalho não se vê no site pronto, mas é ele que decide se o site trabalha por ti ou se apenas existe.
Um site pode ser lindo, ganhar prémios de design até, e mesmo assim não trazer ninguém, se foi construído à volta de uma tendência visual em vez do teu negócio. A estratégia é o que garante que não é esse o caso: perceber quem compra, o que escreve no Google, o que o faz confiar antes de carregar em "contactar". É a parte que raramente aparece num orçamento (não há forma bonita de a pôr numa linha de fatura), e é a que mais pesa no resultado.
Se queres ver como isto se traduz na prática, tenho uma página dedicada à criação de sites profissionais, com o que está incluído e os preços.
A velocidade (que só notas quando falta)
Um bom site mostra o conteúdo principal em menos de dois segundos e meio. É o valor que a própria Google define como bom, nos chamados Core Web Vitals. Não é um capricho técnico: quando um site fica lento, as pessoas saem antes de veres o que lá tens.
E isto tem número, não é opinião minha. Num estudo da Google em parceria com a Deloitte, feito com 37 marcas e mais de 30 milhões de sessões, melhorar o carregamento em apenas 0,1 segundo aumentou as vendas em 8,4%.
A velocidade é das coisas mais trabalhosas de fazer bem e das mais invisíveis quando está lá. Só reparas nela quando falta, tal como só reparas no isolamento de uma casa no primeiro inverno em que falha.
Ser encontrado por quem procura
Um site bonito que ninguém encontra é como uma loja sem montra, numa rua sem gente. Para o Google o mostrar, o site tem de ser construído para ser encontrado: as páginas ligadas entre si, e os títulos e cabeçalhos a usar as palavras que as pessoas realmente escrevem quando procuram o que fazes.
Isto está preto no branco no próprio guia da Google para quem quer aparecer nas pesquisas: o Google encontra as páginas seguindo ligações, e mostra-as quando os títulos e o conteúdo usam os termos que as pessoas pesquisam. Não se vê no ecrã, mas é a diferença entre existir online e apareceres quando alguém precisa de ti.
A confiança que se decide em segundos
As pessoas decidem se confiam num site quase antes de o lerem. Num estudo de Stanford com mais de 2.600 pessoas, o fator mais mencionado para avaliar a credibilidade de um site foi, de longe, o aspeto (46,1% dos comentários analisados; atenção, é a percentagem de comentários que mencionam o design, não a percentagem de pessoas). A primeira impressão não é vaidade: é o que faz alguém ficar ou fechar o separador.
E há um pormenor que muda a forma como se escreve um site: as pessoas não leem, passam os olhos. O Nielsen Norman Group calcula que, numa visita média, uma pessoa lê no máximo cerca de 28% das palavras da página. A clareza (dizer o essencial primeiro, sem encher texto por encher) é trabalho, não sorte. Um site que respeita o tempo de quem o lê parece simples; chegar a essa simplicidade é das coisas mais difíceis de fazer bem.
Funcionar para toda a gente
Um site que só funciona bem para quem vê perfeitamente, ouve, e usa um rato com precisão deixa gente de fora. Segundo a Organização Mundial de Saúde, 1 em cada 6 pessoas no mundo, cerca de 1,3 mil milhões, vive com uma deficiência significativa.
Acessibilidade é construir para que o site funcione também para elas: contraste suficiente, navegação por teclado, descrições nas imagens. Há uma norma internacional para isto, as WCAG, definidas pelo W3C, o organismo que faz as regras da web. Não é um extra bonito de ter. É alcance, é usabilidade para toda a gente (serve também quem tem o telemóvel ao sol ou uma ligação fraca no meio do Alentejo), e em muitos casos é exigência legal.
Ser teu de verdade
Esta é a mais invisível de todas, e a que mais importa a longo prazo: de quem fica o site quando está pronto. Um site que é teu tem o domínio registado em teu nome, o código numa conta tua, e um sistema onde mudas um texto sozinho, sem teres de pedir a ninguém. Não se vê ao olhar para o site, mas decide tudo o que podes fazer com ele depois.
E não é só boa prática, tem base legal. O regulamento europeu de proteção de dados dá-te o direito de levar os teus dados para outro fornecedor. O domínio é teu enquanto estiver registado no teu nome, segundo as regras da ICANN, o organismo que gere o sistema global de domínios. Voltando à casa do início: as chaves ficam contigo. É isso que te dá liberdade para o levar, mudar e crescer com ele, sem pedir licença a ninguém.
Quanto custa um site em Portugal? Os números reais
Nas seis secções acima, mostrei-te o trabalho por trás do preço em vez de um número solto. Mas às vezes só queres mesmo saber quanto custa. Aqui estão os números praticados em Portugal, hoje, e onde os meus próprios preços entram nessa equação.
- Landing page: 300€ a 2.000€
- Site institucional: 350€ a 10.000€
- Loja online: 400€ a 12.000€ (as complexas ultrapassam 25.000€)
- Domínio (.pt): 10€ a 30€/ano
- Alojamento: 50€ a 150€/ano
- Manutenção: 40€ a 750€/mês
Os 350€ e os 400€ acima são os valores mínimos de entrada no mercado (Zaask), e excluem alojamento e base de dados: não é isto que um site institucional ou uma loja custam tipicamente, é o chão absoluto antes de somares o resto. Todos estes valores são sem IVA. É a mesma base dos meus próprios preços “desde” a seguir.
A faixa é larga porque “site” cobre coisas completamente diferentes: desde um template montado num fim de semana até um projeto com pesquisa, copy e desenvolvimento à medida. Os meus preços entram nessa faixa, mas não a meio por acaso: incluem sempre pesquisa e estratégia, copy pensado para SEO e para os motores de resposta (AEO), design e desenvolvimento, como um único trabalho, não como extras vendidos à parte.
- Landing page (com estratégia), desde 1.200€: pesquisa, copy, design e build. Não um template.
- Site institucional ou de marketing, 2.400€ a 6.000€: consoante o âmbito do projeto.
- Portal ou e-commerce, 6.000€ a 10.000€+: builds complexos, integrações, multilingue.
A maior parte dos meus concorrentes premium em Portugal não publica um número (o “sob consulta” é quase uma tradição do setor). Eu digo já onde começo, mesmo não sendo a opção mais barata: um site a 1.200€ é o chão honesto para algo que funciona mesmo, não a promessa de um template a 300€ que te vai custar mais daqui a um ano, quando tiveres de o refazer.
Quanto custa um site de vendas?
Uma loja online custa mais do que um site institucional pela mesma razão que uma cozinha profissional custa mais do que uma sala: há mais sistemas a funcionar ao mesmo tempo. Catálogo de produtos, carrinho, pagamentos, gestão de stock, faturação, e muitas vezes integração com um ERP ou uma ferramenta de contabilidade já em uso.
Em Portugal, uma loja online simples (catálogo básico, sem integrações) começa nos 400€. Numa plataforma como o Shopify, uma loja fica tipicamente entre 3.000€ e 8.000€; no WooCommerce, entre 3.000€ e 12.000€. Lojas complexas, com integrações à medida (ERP, multilingue, pagamentos avançados), partem dos 10.000€ e ultrapassam com frequência os 25.000€. Os meus projetos de e-commerce começam nos 6.000€, porque incluem sempre a integração com os sistemas que o negócio já usa, não uma loja genérica ligada a um template.
Este tema merece o seu próprio artigo (o que muda entre Shopify, WooCommerce e uma loja construída à medida é uma conversa longa). Para já, fica a base: o preço sobe com a complexidade do que vendes, não com o número de produtos.
Quanto custa a manutenção de um website?
Pouco, se olhares só para o que é realmente teu. O domínio custa entre 10€ e 30€ por ano. O alojamento, entre 50€ e 150€ por ano num plano partilhado. É praticamente tudo o que precisas para um site continuar online.
O que varia é o resto: planos de “manutenção” no mercado português vão dos 40€ aos 750€ por mês, consoante o que incluem (atualizações técnicas, backups, alterações de conteúdo, SEO contínuo). Não vendo um plano de manutenção fechado: o domínio e o alojamento ficam sempre em teu nome, sem dependeres de mim para os mudar de sítio (é a mesma lógica da secção “Ser teu de verdade” lá em cima).
O que ofereço, para quem quer continuar a crescer depois do site estar pronto, é a Parceria: estratégia, marketing, conteúdo e o desenvolvimento para os executar, desde 500€/mês. Não é uma manutenção. É continuar a trabalhar no site, não só a mantê-lo de pé.
Comprar, alugar ou fazer numa plataforma? As três formas de pagar por um site
Além do quanto, há o como, e o mercado português vende sites de três formas. Nas plataformas de construção (Wix, Squarespace, Shopify), pagas uma mensalidade à plataforma, desde uns 13€ por mês, e montas tu o site (ou pagas a alguém para o montar lá dentro). No aluguer de site, uma agência ou freelancer constrói e aloja, e pagas enquanto ele está no ar; em Portugal, os planos públicos que encontrei vão dos 25€ aos 125€ por mês, com domínio, alojamento e suporte incluídos. E na compra por projeto, o modelo da maioria dos profissionais (e o meu), pagas o trabalho uma vez e o site fica teu.
A plataforma é a escolha certa para testar uma ideia com orçamento mínimo, ou quando gostas de pôr as mãos na massa. O compromisso é o tempo: és tu que fazes, e o site vive dentro da plataforma; se saíres, levas o domínio e os conteúdos, não o site.
O aluguer serve quem quer um site feito por profissionais sem investimento inicial: entrada barata, tudo tratado. As contas é que merecem atenção quando o site passa a ser permanente: 80€ por mês são 960€ por ano, perto de 2.900€ ao terceiro ano, e o contador continua, sem o site chegar a ser teu.
Na compra por projeto, o valor concentra-se no início (os números reais estão em cima) e mantê-lo online custa pouco: o domínio (10€ a 30€/ano) e o alojamento (50€ a 150€/ano). É o modelo que faz sentido quando o site é para durar.
Seja qual for o modelo, e seja com quem for (comigo incluída), há quatro perguntas que valem qualquer proposta: em nome de quem fica o domínio? O site é meu ou é vosso? O que levo comigo se sair? E o que está exatamente incluído no valor? Quem trabalha bem responde às quatro sem hesitar, em qualquer dos três modelos.
Então, quanto custa um bom site profissional em Portugal?
Voltando à pergunta do princípio: quanto custa um bom site? Depende de quanto deste trabalho invisível está lá dentro. Em Portugal vais ver sites anunciados desde algumas centenas até dezenas de milhares de euros, e a diferença de preço é quase toda isto que acabaste de ler: a estratégia, a velocidade, ser encontrado, a confiança, funcionar para todos, e ficar teu.
Um bom site não é o mais bonito nem o mais barato. É aquele onde este trabalho foi feito, e é por isso que dura, traz clientes, e continua a ser teu daqui a uns anos.
O que faço, e o que cada projeto inclui, está nos serviços. E se estás a pensar num site e queres perceber o que faz sentido para o teu caso, conta-me o que precisas. Digo-te com honestidade o que é preciso, e o que não é.
Fontes
- Google · Core Web Vitals (LCP ≤2,5s = "bom")
- Google + Deloitte · "Milliseconds Make Millions" (37 marcas, 30M+ sessões, 0,1s → +8,4% vendas)
- Google Search Central · SEO Starter Guide (páginas encontradas por ligações; títulos e conteúdo cruzados com termos de pesquisa)
- Stanford Web Credibility Research (Fogg et al., 2.684 comentários, design = fator de credibilidade mais mencionado, 46,1%)
- Nielsen Norman Group · "How Little Do Users Read?" (≤28% das palavras lidas por visita)
- Organização Mundial de Saúde · Disability and health fact sheet (1 em cada 6 pessoas / 1,3 mil milhões)
- W3C / WAI · Web Content Accessibility Guidelines (WCAG)
- RGPD, Artigo 20 · Direito à portabilidade dos dados
- ICANN · Registrant Rights and Responsibilities (propriedade do domínio ligada ao registo do titular)
- Modular Digital · “Quanto Custa Criar um Site em Portugal em 2026?” (ranges de mercado: landing, institucional, loja, domínio, alojamento)
- Modular Digital · “Quanto Custa a Manutenção de um Site em Portugal?” (escalões de manutenção mensal)
- Zaask · Tabela de preços para criação de websites (gama de entrada, institucional e e-commerce, mercado PT)
Wix Portugal · planos Premium (desde ~13€/mês, 2026)
Fornecedores portugueses de aluguer de site · páginas públicas de planos (mensalidades de ~25€ a ~125€, 2026)


